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Hoje é Quinta-feira, 19 de Março de 2026.
Três anos e dois meses após o início das obras, a Suzano iniciou na noite deste domingo (21) as operações da maior fábrica de linha única de produção de celulose do mundo, localizada em Ribas do Rio Pardo. Sem nenhuma comemoração, o empreendimento começa a operar com uma capacidade de produção anual de 2,55 milhões de toneladas de celulose.
O projeto recebeu um investimento total de R$ 22,2 bilhões, com R$ 15,9 bilhões destinados à construção da fábrica e R$ 6,3 bilhões para a formação da base de plantio e estrutura logística. Toda a produção será despachada por rodovia até o município de Inocência, onde a empresa está concluindo a construção de um terminal intermodal às margens da Ferronorte. De lá, a celulose será transportada por ferrovia até o porto de Santos.
Inicialmente, a Suzano planejava construir um ramal ferroviário de 231 quilômetros até Inocência, mas o projeto, que demandaria um investimento de R$ 3,5 bilhões, foi engavetado.
A previsão inicial era ativar a fábrica em junho, mas atrasos atribuídos à empresa Enesa, que enfrentou problemas financeiros, levaram ao adiamento do início das operações em um mês.
Beto Abreu, recém-nomeado presidente da Suzano, destacou a dedicação e capacidade de execução de todos os envolvidos no Projeto Cerrado, ressaltando a cultura de excelência da empresa sob a liderança de Walter Schalka. "Sua visão e ambição levaram a empresa a entregar um projeto dentro do orçamento previsto, com foco na sustentabilidade e impacto local positivo", afirmou Abreu.
No pico das obras, em abril do ano passado, o projeto empregou 10 mil pessoas simultaneamente. Com o início das operações, cerca de 3 mil pessoas, entre colaboradores próprios e terceiros, trabalham nas atividades industrial, florestal e de logística da nova unidade. Muitos desses trabalhadores residem em um conjunto habitacional com quase mil unidades construído pela Suzano em Ribas do Rio Pardo.
Com a nova unidade, a capacidade de produção de celulose da Suzano aumentou de 10,9 milhões para 13,5 milhões de toneladas anuais, representando um crescimento de mais de 20% na produção da empresa. Walter Schalka, ex-presidente da Suzano, afirmou que a nova fábrica abrirá novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento de produtos inovadores a partir de matéria-prima renovável.
A fábrica de Ribas do Rio Pardo utiliza tecnologia de gaseificação da biomassa nos fornos de cal, restringindo o uso de combustíveis fósseis a momentos de partida e retomada de produção. A unidade será autossuficiente na produção de ácido sulfúrico, peróxido de hidrogênio e energia verde, com um excedente de aproximadamente 180 megawatts (MW) médios que será exportado para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Além dos recursos destinados à fábrica e logística, a Suzano investiu mais de R$ 300 milhões em iniciativas sociais e infraestrutura local, como a ampliação do Hospital Municipal e a construção de unidades de saúde, uma Casa de Acolhimento, uma Delegacia de Polícia Civil e uma Unidade Operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Com a nova fábrica, Mato Grosso do Sul passa a ter uma capacidade de produção de 7,6 milhões de toneladas de celulose por ano. A Suzano já possui uma fábrica em Três Lagoas com capacidade para 3,25 milhões de toneladas anuais, enquanto a Eldorado, no mesmo município, produz 1,8 milhão de toneladas. A chilena Arauco iniciou a construção de um novo complexo industrial em Inocência, com um investimento de R$ 28 bilhões e uma produção inicial de 2,5 milhões de toneladas a partir de 2028, com meta de alcançar 5 milhões de toneladas anuais.
Atualmente, a área destinada ao plantio de eucalipto em Mato Grosso do Sul é de 1,480 milhão de hectares, com previsão de atingir 2,5 milhões de hectares nos próximos anos, segundo o Governo do Estado.(Informações Correio do Estado)
