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Hoje é Terça-feira, 07 de Abril de 2026.
O diretor de fiscalização ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Johnatan Santos, revelou em entrevista à TV Brasil que as mudanças climáticas e a falta de chuvas estão agravando a caça e pesca ilegais de espécies amazônicas, especialmente as ameaçadas de extinção.
Santos explicou que a redução do nível dos rios facilita a visualização dos animais por criminosos, que conseguem capturá-los com maior rapidez. "Com a baixa das águas, os infratores têm mais facilidade para localizar e abater os animais", afirmou. A declaração foi feita após a apreensão de um peixe-boi-da-amazônia abatido na orla do Rio Tefé, no Amazonas.
A intensificação dessas atividades predatórias preocupa, pois coloca em risco a sobrevivência de espécies como o peixe-boi, cuja extinção poderia causar um desequilíbrio significativo no ecossistema aquático. "O peixe-boi desempenha um papel crucial na cadeia alimentar. Sua extinção traria graves consequências para o equilíbrio do ambiente aquático", alertou Santos.
Além do caso do peixe-boi, uma operação realizada pelo Ibama na última terça-feira (24) resultou na apreensão de 422 kg de carne de pirarucu na Feira Municipal de Tefé. A mercadoria não tinha comprovação de manejo autorizado, o que levou à aplicação de R$ 12 mil em autuações. A ação foi desencadeada por denúncias de organizações não governamentais e pela unidade local do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Santos destacou que o Ibama, em conjunto com outros órgãos, monitora os rios amazônicos, avaliando a qualidade da água, a temperatura e o fluxo hídrico, além de fiscalizar atividades que possam agravar a situação, como a caça ilegal e o garimpo, que têm alterado o curso dos rios.
As táticas usadas pelos criminosos incluem redes de pesca, malhadeiras, arpões e até armas de fogo. Após a captura, a carne é transportada para locais sem autorização sanitária, onde é cortada e comercializada ilegalmente.
"O Ibama está intensificando ações de fiscalização em pontos estratégicos para proteger as espécies mais vulneráveis e garantir o equilíbrio do ecossistema amazônico", concluiu o diretor.
