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Hoje é Segunda-feira, 30 de Março de 2026.
O assassinato do idoso Argemiro da Silva Escalante, de 74 anos, ocorrido na Aldeia Pirakuá, em Bela Vista, na última quinta-feira (12), gerou um posicionamento da Aty Guassu (Grande Assembleia do Guarani Kaiowá), que o qualificou como um crime motivado por intolerância religiosa. A entidade denunciou o caso como um ataque não apenas à vida de Argemiro, mas também à cultura e espiritualidade do povo Guarani Kaiowá.
De acordo com a Aty Guassu, Argemiro era um guardião da sabedoria ancestral e protetor das tradições sagradas de sua comunidade. “Sua vida foi cruelmente tirada por uma violência que reflete o desrespeito às práticas espirituais indígenas, às quais dedicou sua existência”, publicou a associação em sua página no Instagram.
No entanto, a versão oficial da polícia aponta uma motivação diferente. Informações das investigações indicam que, durante uma bebedeira, Argemiro e o acusado, um jovem de 23 anos, tiveram uma discussão sem motivo aparente. Em determinado momento, o idoso teria agredido o rapaz com um pedaço de madeira, o que resultou em uma reação do jovem, que desferiu dois golpes de faca contra Argemiro. A vítima foi levada ao hospital de Bela Vista, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
A polícia descartou a hipótese de intolerância religiosa e classificou o crime como resultado de um desentendimento motivado pelo consumo de bebidas alcoólicas. O acusado foi preso em flagrante e autuado pelo homicídio.
A Aty Guassu, por sua vez, reafirma sua denúncia de intolerância religiosa, considerando a violência contra Argemiro como um reflexo de preconceito e desrespeito às tradições indígenas.
